Mais um ano sem Ayrton Senna

Há 22 anos, um estádio de futebol se juntava numa única voz para entoar um grito apertado, um grito de tristeza. No clássico entre Vasco e Flamengo, no Maracanã, na tarde de 1º de maio de 1994, mais de 100 mil torcedores sincronizaram as vozes para gritar por Senna, lhe dando, em memória, o último adeus. Logo cedo, pela manhã, os brasileiros que estavam em frente à TV presenciaram a última volta da vida do piloto, na Curva do Tamburello, em Bolonha, na Itália. Era o GP de San Marino.

Uma batida frontal lhe tirava a vida. Tão angustiante quanto ver aquela imagem brusca, foi sentir o tom de voz de Galvão Bueno ao narrar o choque do carro no muro de proteção. Era a certeza de que algo não estava no controle. No momento do impacto, segundo reportaram alguns veículos de comunicação, ele pilotava sua Williams a mais de 300 km/h. Foi, simplesmente, um domingo avassalador. As emissoras de rádio e TV não falavam de outra coisa.

Um trecho do livro “Ayrton Senna, um herói revelado” deixa claro a admiração das pessoas com o velocista. No meio da viagem – no translado que trazia o corpo para o Brasil –  um dos integrantes da tripulação avisava ao grupo que estava no voo, que aviões emitiam sinais de luz  em rotas próximas à do MD11. Era uma homenagem ao corredor brasileiro na noite sem nuvens do Oceano Atlântico. Um comandante de outro avião dizia pelo rádio: “Ayrton, seja bem vindo ao Brasil que te ama” (pág. 569).

Herói brasileiro e ídolo para os amantes do automobilismo, o piloto se destacava por sua postura longe das pistas e não apenas pelo seu status de tricampeão.  Adepto de um discurso “do bem” e de uma simpatia contagiante, Ayrton vivia preocupado com as causas sociais, com a questão da igualdade. Seu legado segue vivo até hoje. O desejo de proporcionar uma vida digna permanece firme através do instituto Ayrton Senna, cujo o objetivo é levar educação de qualidade para as redes públicas de ensino no Brasil.

Sua trajetória brilhante na Fórmula 1 se estende a 161 GPs disputados, 65 pole positions, 19 voltas mais rápidas, 2.982 voltas na liderança, 41 vitórias e 614 pontos somados na carreira. Números incontestáveis.  As vezes que ele subiu ao pódio estão cravadas na memória do povo brasileiro.

 Nos confortemos com as boas lembranças.

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