Quando a eleição foi decidida no futebol

Marcio Souza
24/07/2016

 

Na transição dos anos 80 para 90, o futebol amador de Vitória de Santo Antão começou a ganhar força com a construção do Estádio Severino Cândido Carneiro, “O Carneirão”. Tal iniciativa do poder público em levantar uma praça de esportes que atendesse aos anseios dos desportistas gerou uma empolgação inédita dos dirigentes de pequenos clubes. Sabendo que entrariam em campo para uma cidade inteira ver, os donos de pequenas agremiações levaram o futebol a sério montando equipes competitivas.

No decorrer da década, surgiu a Desportiva Vitória, que aparecera com o intuito de recrutar valores da bola que se destacavam na região. Não demorou muito para que joias aparecessem e consequentemente o futebol do município ganhasse fama pelo interior pernambucano. Glorioso de forma meteórica, o Tricolor das Tabocas desbancou rivais perigosos e teve uma trajetória invejável naquela época.

Já crendo que a cidade precisava de outra representação estadual no futebol, um grupo de desportistas, empresários e políticos, profissionalizaram, nos anos 2000, o Vera Cruz – time amador com maior prestígio até então. O também tricolor entrou tímido numa terceira divisão do Campeonato Pernambucano e subiu mais um degrau para encarar o Vitória, em 2004, numa segunda divisão.

Ano de pleito eleitoral, a influência do futebol local já penetrava na política. Quando os dois times se enfrentaram na segundona de 2004, a disputa ia do campo para arquibancada. Quem tem boa memória, certamente recorda que o estádio ficava dividido em duas cores: vermelho e amarelo – as cores dos prefeituráveis que os presidentes dos dois clubes apoiavam naquela eleição. Em 2004, o vermelho levou a melhor…

Começou uma briga por baixo dos panos e, em 2008, quando o Vitória tentava sair de mais uma segundona, a politicagem falou mais alto. Era ano de eleição. O clube foi impedido de treinar no estádio municipal, pois o prefeito da época impediu que isso ocorresse, justamente na pré-temporada que todo o clube tem que fazer. O Vitória teve que ir pra Limoeiro, pois o prefeito daquela cidade havia dado o aval para o time realizar seus jogos no Estádio José Vareda.  A polêmica foi destacada em sites, rádio e televisão.

É claro que deixar o clube sem treinar foi o estopim para que o lado ”ofendido” levantasse sua campanha política. E foi o que deu certo. Ônibus lotados partiam para Limoeiro em dias de jogos e havia uma distribuição de ingressos. Era sempre campo lotado, com duas mil, três mil pessoas. A campanha daquele ano foi construída em cima disso e talvez, os 232 votos de diferença do amarelo em cima do vermelho (as cores folclóricas da política local), saíram das arquibancadas.  Por causa disso, em 2008, o amarelo levou a melhor…

O aprendizado disso tudo é que nada vai evoluir se houver politicagem. O futebol do município há anos vive estagnado. Os clubes se revezam entre primeira e segunda divisão, mas nunca evoluem. Ainda bem que não utilizam mais o futebol de nossa terra como espada de batalha política.

Muito coisa melhorou, inclusive a visão dos dirigentes.. UFFA!

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Zoeira, fracasso e recomeço: as cicatrizes do 7×1

Marcio Souza
08/07/2016

 

Hoje, 08 de julho de 2016, completam-se dois anos da vergonhosa goleada sofrida pelo Brasil na Copa do Mundo 2014 contra a Alemanha, no Mineirão. É um aniversário que ninguém gostaria de comemorar, mas… ‘’GOL DA ALEMANHA!’’. O resultado vexatório foi até motivo de zoeira na internet. O brasileiro é criativo! Veja a resenha:

zoa

Nossa senhora, dói nos nervos relembrar aquela tarde de choro brasileiro e euforia germânica em Belo Horizonte. A pior cena daquela semifinal, além dos gols, foi ver o jovem garoto Tomaz da Rocha em prantos na arquibancada. Ele e outros torcedores, é claro.

Mas, o que mudou de lá pra cá? A corrupção veio à tona, treinadores caíram, cargos foram exonerados… e nada disso resolveu (ainda) o nosso fraco futebol dentro de campo. Frustrações à parte, acredita-se que 2016 será o ano em que a Canarinha dará a volta por cima. Todo mundo torce por isso.

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro batem na porta. Eis aí uma chance de recomeçar com o pé direito. Pelo menos no setor de ataque estamos bem servidos: Neymar, Gabigol, Luan, Gabriel Jesus e Douglas Costa. Na beira do gramado, a experiência de Rogério Micale, treinador especialista em futebol de base.

No selecionado principal, Tite é quem comanda. Inclusive ele abriu mão de comandar o time olímpico para que Micale assumisse. Que humildade, eim professor?!

No mais, vamos tentar esquecer os 7×1. Quer dizer, relembrem:

 

 

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Após 32 anos, um troféu pra recordar

Marcio Souza
27/06/2016

O Vitória chegou, após 32 anos, a um título estadual oficial de futsal. Foi na semana passada, na quarta-feira, quando o clima era de São João. Falar dessa época nos lembra de fogueira, fogo e calor. O jogo que garantiu o troféu teve quase tudo isso. Teve uma mistura de raça, competência e sorte dos dois lados.

O Central, oponente da noite, precisava apenas empatar no tempo normal por ter a vantagem de ter vencido o primeiro jogo por 4×2 em Caruaru. Por muito pouco, os centralinos não levaram o status na bagagem naquela fatídica partida.  Em determinado momento, quando o Vitória já vencia por 2×1, um jogador da Patativa chutou sorrateiramente contra a meta de Niwerton no último minuto do tempo normal.  O goleiro do time vitoriense estava sendo enganado pela bola, mas por um reflexo instintivo conseguiu defender.

Falar detalhes desse jogo exige fôlego e adrenalina. Tá aí dois ingredientes que também não faltaram no duelo. Com o tempo comum tranquilo e favorável, o Vitória conseguiu levar o embate à prorrogação. No tempo extra, fez mais do que precisava. Venceu por 3×0 e no meio de um barulho ensurdecedor da torcida, pôde gritar é campeão.

Esse sim, vai se tornar um troféu pra recordar.

Veja os melhores momentos deste jogo AQUI. 

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