Artesão apresenta escultura inspirada na infância e na literatura brasileira em mostra inédita de Arquitetura
Diretamente do interior de Pernambuco, onde o barro molda não apenas esculturas, mas histórias de vida, o artesão mestre Fernandes Rodrigues marca presença na 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira com uma obra que amplia seu repertório criativo ao dialogar com novas narrativas do Brasil.
Nascido no Engenho Cacimbas, zona rural da Vitória de Santo Antão, na Mata Sul, o artista encontrou ainda na infância sua conexão com a matéria-prima que viria a definir sua trajetória: o barro. Foi a partir dessa relação intuitiva e profunda com a terra que desenvolveu um trabalho reconhecido pelo realismo, pela expressividade e pela força emocional de suas esculturas.
Na Bienal, o mestre apresenta a obra intitulada “Pedrinho”, uma peça inspirada no típico menino do interior de São Paulo. A escultura retrata, de forma sensível, um menino sentado, descalço, carinhosamente apelidado de Pedrinho, e constrói uma narrativa que homenageia a infância e o universo da leitura. A obra faz referência direta ao clássico da literatura infantil brasileira “O Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, destacando a figura de uma criança que se deleita na leitura como ferramenta de imaginação e transformação.
Reconhecido como mestre do artesanato pernambucano desde 2016, Fernandes Rodrigues acumula premiações em salões de arte popular e constrói uma carreira marcada pelo realismo e pela expressividade de suas peças em barro.
A criação da peça se deu ao longo de três meses, resultado de um processo que envolve técnica, paciência e profundo domínio do ofício. Produzida em barro, a escultura passou por um cuidadoso processo de secagem natural antes de ser levada ao forno a lenha, onde foi queimada por 12 horas a uma temperatura de 950 graus centígrados — etapa essencial para garantir resistência e acabamento.
A técnica utilizada por Fernandes mistura elementos da arte popular com referências clássicas, resultando em uma estética alinhada ao Movimento Armorial, que valoriza as raízes culturais brasileiras por meio de uma linguagem erudita e simbólica.
A obra está exposta no Pavilhão do Estado de São Paulo, em um espaço assinado pelo escritório Os Gêmeos, com curadoria de Paul Solorzano, estabelecendo um diálogo entre arquitetura, arte contemporânea e tradição artesanal.
A participação do artista pernambucano reforça a presença da arte popular em um ambiente historicamente ligado ao design e à arquitetura, ampliando o alcance desse tipo de produção no circuito cultural. Criada especialmente para a Bienal, “Pedrinho” teve como principal desafio revelar a identidade da criança do interior paulista, explorando não apenas aspectos anatômicos e expressivos, mas também destacando a importância da leitura como elemento fundamental na construção do conhecimento e como agente de transformação social.
Ao integrar a mostra, a escultura reforça a potência da arte popular brasileira dentro do cenário contemporâneo, evidenciando a capacidade do artesanato de ocupar espaços de destaque ao lado da arquitetura e do design.
Após o encerramento da Bienal, a peça estará disponível para aquisição, oferecendo a colecionadores e apreciadores a oportunidade de levar para casa uma obra que carrega não apenas técnica, mas também memória, identidade e narrativa.
Reconhecido como mestre do artesanato pernambucano desde 2016 e premiado em importantes salões de arte popular, Fernandes Rodrigues consolida sua trajetória como um dos grandes nomes da arte em barro no Brasil. Sua participação na Bienal simboliza não apenas um marco em sua carreira, mas também o reconhecimento da força do artesanato brasileiro no cenário cultural contemporâneo.
SERVIÇO
A obra está disponível para aquisição durante o período da Bienal. O pagamento pode ser realizado à vista, via Pix, ou em condições a combinar.
